quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Autoestima, transtornos alimentares e aceitação


Minha autoestima foi uma questão sempre muito presente no blog, já perdi as contas de quantos textos sobre aceitação que eu já fiz, quantas mentiras eu já contei pra mim mesmo. E hoje eu decidi que vou contar a verdade, a minha verdadeira relação com o meu corpo e tudo mais.

A verdade é que eu nunca me incomodei com o meu corpo, eu tinha na minha cabeça que foda-se que eu sou gordo, continuo a pessoa mais maravilhosa do mundo, continuo tendo um rosto lindo, com pernas lindas, eu definitivamente me amava profundamente, eu me achava uma pessoa linda.

Eu sempre tive na minha cabeça que o problema não estava comigo, estava nos outros que não viam essa beleza que eu via em mim mesmo, e obviamente isso foi motivo de sofrimento pra mim. Eu não me incomodava usar um uniforme G, me incomodava a forma com que as pessoas reagiam a isso.

Havia sempre uma pesagem na escola que eu estudava, e todo ano meu peso aumentava, e todo ano era piadinhas diferentes que eu tinha que aguentar, sem contar nas vezes que eu apanhei na escola/ônibus, quando eu morava na fazenda. A última vez que eu pesei foi em 2014, o último ano que eu estudei nessa escola, depois disso eu meio que peguei trauma de me pesar perto dos outros, então não me pesei desde então.

Esse meu pensamento de "ok, o problema não esta em mim, esta nas pessoas que não vêem a beleza em mim, porque eu sou uma pessoa maravilhosa" durou até bastante tempo, se levarmos em conta tudo que eu passei.

Porém eu parei de pensar assim depois de conhecer ana e mia (Anorexia e bulimia) porque eu comecei a pensar que talvez a culpa fosse minha, e talvez teria chances de mudar, já que eu vi tantas história de meninas e meninos que mesmo ficando doentes, conseguiam emagrecer, e a realidade é que as pessoas que tem ana e mia, estão cagando para a saúde. Elas/eles, só querem emagrecer a qualquer custo. E era o que eu queria. Então fazia as dietas malucas, fazia NF (No Food/Sem comer nada) e vomitava quando achava necessário, e é claro, eu via certa diferença, principalmente quando eu vomitava, porém, como ficamos sem comer por muito tempo, ou não comemos quase nada, havia muitas compulsões, e eu acabava sentindo meu corpo voltar a ser exatamente como era antes, até maior. 

Resumindo, eu nunca tive resultados significativos de ficar magro e tal, mas sempre que eu passava por alguma coisa, como alguém me zoar por conta do meu peso, ou eu ser rejeitado por algum garoto, eu voltava as dietas.

Houve um moço que me rejeitou que eu me lembro de chorar no banheiro enquanto eu me olho no espelho e culpo toda aquela gordura. O moço também é gordo, mas sei la o que se passava na minha cabeça. Querendo ou não, a comunidade gay é MUITO gordofóbica, e naquele dia me passou na cabeça todas as vezes que eu sofri alguma "rejeição". Me comparava a meninos magros que eu já gostei. de gays que falavam mal de mim e eu não sabia o porquê, e sempre, é claro, culpando toda essa gordura que eu tenho. 

A partir desse dia eu parei de pensar que o problema estava nos outros por não verem beleza em mim como eu via, e passei a culpa a mim mesmo, e me odiar muito. Porém, vez ou outra eu parava e pensava que isso era loucura e que eu precisava me amar mais e que isso iria passar, eu iria encontrar alguém que me amasse e coisinhas lindas do tipo (bem princesinha plus size da Disney). Eu procurava vídeos sobre emponderamento do corpo, e encontrava 2 ou 3 meninas gordas falando sobre isso, o que me ajudava por um tempo, mas depois eu pensava "quem eu to querendo enganar?". Sem falar no fato de eu voltar meses depois e ver que essas meninas que falavam sobre aceitação do corpo estavam em fase e emagrecimento, e os vídeos eram todos voltados para essa busca delas, o que me deixava com poucos modelos, já que como eu disse, eu encontrava 2 ou 3 meninas que falavam sobre isso. Sem contar que eu já tinha visto os vídeos delas falando sobre aceitação, assistir eles de novo não faziam tanto efeito como a primeira vez, eu precisava de mais modelos, EU PRECISAVA DE MAIS REPRESENTATIVIDADE.

Desculpa, mas eu não precisava de uma famosa magra falando sobre aceitar seu próprio corpo, sendo que não é tão difícil assim aceitar um corpo no padrão. Ver a Demi Lovato falar sobre aceitação e emagrecer um pouco e se mostrar mais confiante e mostrar mais o corpo e começar toda essa era Confident, me fazia acreditar que eu só poderia ser mais confiante se eu emagrecesse também, parece loucura, mas era o que eu achava.

Mas também eu conheci pessoas incríveis que me faziam ter alguma esperança, como Alex Newell (Cantor), Mary Lambert (Cantora), Kim Chi (Drag Queen), Luiza Junqueira (YouTuber), Sharon Rooney (Atriz), entre outras...

E a minha relação com a minha autoestima atualmente? Bem... Eu queria ter uma solução, como eu sempre trazia quando ia tratar esse assunto. Mas não tenho uma solução. 

Me vejo no espelho e não gosto nem um pouco do que reflete. Eu me comparo com todo mundo, e eu acredito que se eu emagrecesse, muita coisa ia ser mais fácil pra mim, MUITA. Se eu pudesse ajudar todas as meninas/meninos que sofrem com esses transtornos alimentares, eu ajudaria, porque acredite... O problema não esta em vocês, e eu sei como é difícil tudo isso que vocês passam, acreditem. eu sei exatamente como é. 

O melhor concelho que eu posso dar a vocês é que. antes de tentar sempre a aprovação das pessoas, e aceitação delas, ame você primeiro e seja só você mesmo. Já perceberam como as melhores pessoas que nós conhecemos são aquelas que são simplesmente elas mesmas? Quando a gente conseguir parar de pensar tanto na aprovação dos outros e simplesmente deixar as coisas acontecerem, a vida pra gente será melhor. Eu sei como é difícil tentar conseguir isso, e eu também to tentando, então... estamos no mesmo barco. 

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Vamos falar sobre se sentir sozinho?

Faz muito tempo que eu não posto no blog, mas o criei na intenção de sempre haver um refugio para despejar todas as minhas questões e coisas do tipo. Me vi na necessidade de fazer isso, e aqui estou eu.


Nesse final de ano eu percebi que todo ano arrumo uma paranoia para a minha cabeça, ano passado foi a minha autoestima, e isso vem me acompanhando até hoje, mas diferente de 2015 onde eu pensava que ninguém gostava de mim porque eu sou feio, um lixo, e milhares de coisas horríveis que eu imagino; esse ano eu coloquei na minha cabeça que eu não tenho ninguém que eu possa contar ou que eu me sinta confortável em conversar sobre qualquer coisa, porque houve certo momento em que me vi sozinho, e tive uma experiencia da época que eu estudava no fundamental (bullying, solidão, depressão, tentativa de suicídio).
Eu sempre me senti o "amigo excluído" da turma mas isso se reforçou depois do ocorrido, e o sentimento de você nunca poder contar com ninguém é horrível. Sabe? Toda tristeza é um alguém diferente que você vai desabafar, eu me sentia um idiota que ficava compartilhando problemas com os outros, que eu só queria atenção, não sei ao certo.
Isso me levou a me tornar dependente de uma pessoa, porque tudo que eu procurava em um amigo eu encontrava nela, mas ai eu fiquei triste porque voltou aquelas paranoias minhas de pensar que eu estava sendo um estorvo na vida da pessoa e que ela não gostava de mim como eu gostaria. Então eu me encontrei de novo naquela situação; pois sempre que eu me sentia mal, eu tinha meu refugio nessa pessoinha, mas como eu iria chegar nela e falar que eu estou triste por causa dela, sendo que a mesma não fez nada? Então eu vi que eu não tinha mais ninguém, e como eu me tornei dependente dessa pessoa. Talvez eu tenha criado pedaços de uma pessoa que eu inventei, não sei.
Eu fiquei triste durante vários dias, chorei horrores na escola, e até hoje isso me dói um pouco, Mas eu acho que eu tenho trabalhado bem nessa questão, agora eu sei que eu tenho amigas, e eu as amo demais, e sei também que nem sempre vão estar la pra mim, o que é horrível, porque ainda acho que sou muito fraco para lidar com as coisas sozinho. Mas isso não vai me tornar dependente emocionalmente de alguém, como eu era.

São tantas questões que ando tendo que estou pensando em fazer uma série de textos e postar aqui, porque 1) eu quero e 2) 1.