segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

CARTA

Não sei ao certo quando tudo começou, ou quando eu perdi definitivamente o controle, sei que foi real o que eu senti. Desde a falta de ar, até as lágrimas incontroláveis, ou então os momentos de felicidade com uma cobertura de alienação. O ponto é que agora está tudo bem. 
É louco porque eu me senti num conto de fadas criados na minha subjetividade. Tudo gritava cores até eu ser internada, nunca pensei que sentiria tanta falta da minha liberdade. 
Quando a liberdade chegou eu não estava com os pensamentos estabilizados, mas estava agradecida por ter saído daquele lugar. O tempo depois que eu sai foi gentil comigo, e fez com que eu superasse as histórias inventadas na minha cabeça de forma muito orgânica. 
Achei outras formas de me expressar que ainda estão em construção, talvez eu esteja finalmente aprendendo que não só eu precise de um tempo, todos vivem a realidade de formas diferentes e a encaram de acordo com o que acham mais conveniente.
Qual é o ponto afinal? Talvez seja sempre seguir em frente, não aprendemos a levantar se não cairmos algumas vezes.

domingo, 15 de dezembro de 2019

MAIS COISAS DO CORAÇÃO

É complicado escrever sobre coisas do coração, tudo parece tão clichê e obsoleto, mas vamos lá...
Eu sinceramente não acho que eu vá viver uma história de amor digna de filmes, apesar de que esperar isso é ingênuo; porque vivemos numa realidade diferente das histórias romantizadas que a cultura do entretenimento constantemente nos entrega essa utopia tão atraente.
Quando eu surtei, foi por gostar de um garoto e ficar cega perante o que era real ou não. Essa confusão no meu inconsciente foi se intensificando por diversos fatores, um deles é que eu não comentava diretamente o que se estava passando pela minha mente, e quando comentava ninguém me dava um toque no sentido de "gata, tu está alienadissima, sai dessa".
No começo de tudo, tive momentos que o real não batia com o que eu estava idealizando, e talvez por não saber lidar com a rejeição que foi explicitamente apresentada, eu tenha agravado tudo, infelizmente.
A moral de tudo, eu ainda não sei. Mas como no começo, no fundo eu sei que eu não sei lidar com relações desse tipo. É algo mais forte que eu, não sei se vou aprender algum dia, ou se o futuro me aguarda coisa pior do que ser internada, amarrada e dopada de remédio. O que eu sei é que eu preciso cuidar mais de mim, sem me cobrar tanto. Eu sou o que eu sou, talvez não seja o ideal pra certas pessoas, e está tudo bem, somos diferentes, com bagagens de experiências diferentes. Não posso exigir ninguém a se adequar ao que eu espero, nem tentar me adequar a certas normatividades. No entanto, assumimos certas performatividades, de acordo com o espaço que a gente ocupa; as pessoas ao redor definem muito nosso comportamento, e isso que é o mais louco, Judith Butle fala algo sobre essa performatividade, fica a dica de leitura.